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27 Nov Meditação vs. Mindfulness: há diferenças?

Esta é uma pergunta muito comum e para a qual muito contribui o facto de ora vermos referência ao termo “meditação mindfulness” como simplesmente ao termo “mindfulness”.

Portanto, começando pelo incício: Mindfulness, é um tipo de meditação, razão pela qual ambos os termos nos parecem correctos.

Continuando agora sobre “O que é Mindfulness”: Mindfulness tem as suas raízes na meditação Vipassana. Na verdade tem mais do que as suas raízes, uma vez que elas podem ser consideradas iguais. Vipassana, significa ver as coisas como elas realmente são e esta é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia. Foi redescoberta por Buda Gautama há mais de 2500 anos e o tipo de meditação ensinada por ele.

Ainda assim, por mais semelhanças que tenham, a verdade é que Vipassana ganhou um novo nome e uma nova vida no mundo ocidental a partir do momento em que Jon Kabat-Zinn, cientista, médico e Professor de Medicina, teve necessidade de separar a técnica de meditação Vipassana do contexto religioso budista à qual esta acabava por estar muitas vezes associada para a puder estudar em contexto científico.

Não que Buda tenha ensinado a meditação Vipassana como estando ligada a qualquer religião, mas sim, devido à construção que a religião acaba por fazer, acrescentanto algo àquilo que originalmente o seu “iniciador” praticava.

Portanto, à técnica pela técnica, pronta a ser estudada em contexto científico Jon Kabat-Zin atribuiu o nome de mindfulness e definiu como um estado de atenção particular ao momento presente, de forma intencional e sem julgamento. A partir daí, criou programas específicos como o MBSR – Mindfulness-Based Stress reduction, com um procedimento próprio e formação específica para instrutores.

Assim sendo, podemos dizer que mindfulness é meditação Vipassana sem qualquer elemento religioso, o que por si só já justificaria a existência de um novo nome.

Mas há mais. Mindfulness, é a meditação Vipassana posicionada para a cultura ocidental. Para nós, o comum dos mortais, os que andam imensamentes ocupados, os que têm pouco tempo para praticar em comparação com os monges que habitam o nosso imaginário, os céticos e/ou todos aqueles que querem mais da vida sem terem que se submeter a contextos de natureza religiosa (ou até espiritual).

Meditação, por seu turno, abranje um conjunto de diferentes técnicas, entre as quais se inclui mindfulness, e que vão desde a repetição de mantras, à visualização, à contemplação ou ao simples sentar estando consciente do momento presente.

(escrito no âmbito da preparação de uma tese com o apoio do Luis Carvalho)

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